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LACTOSE


Investigação e diagnóstico de intolerância à lactose

 A lactose é um carbohidrato abundante no leite de mamíferos e essencial para a nutrição de recém-nascidos e lactentes. Para sua absorção, deve ser digerida em  glicose e agalactose, por meio da ação da lactase, enzima presente na microvilosidade dos enterócitos ( células que revestem a mucosa do intestino)

A má digestão de lactose é o tipo mais comum de má absorção de carboidrato, sendo causada pela deficiência de lactase. A atividade desta no intestino delgado é mais alta no recém-nascido e depois de 2-12 anos dois grupos distintos de indivíduos surgem :” o grupo lactase não persistente” com baixa atividade de lactase e o grupo “lactase persistente”, os quais são capazes de digerir a lactose na idade adulta .A atividade da lactase decresce com o passar dos anos, estando essa inversão diretamente relacionada com fatores étnicos. A maior taxa de indivíduos intolerantes à lactose encontra-se entre as populações asiáticas, indígenas americanas e afro-americanas (60-100%) e as mais baixas são observadas entre os indivíduos do Norte Europeu e a população branca americana (2-22%)2.

Existe ainda a deficiência secundária de lactase, causada por patologias que provocam lesão e atrofia de vilosidades na mucosa do intestino delgado, como doença celíaca, doença de Crohn de intestino delgado e infecções intestinais.

Bem mais rara é a hipolactasia primária ou congênita, uma doença genética, autossômica recessiva, que se manifesta desde o nascimento com diarreia importante e acidose metabólica.

Manifestações clínicas

A má digestão da lactose faz com que esse carboidrato não seja absorvido, com consequente acúmulo na luz intestinal, onde tem um efeito osmótico, resultando em aumento local da água, aceleração secundária do trânsito e fezes amolecidas. A lactose não digerida chega ao cólon é fermentada pelas bactérias aeróbicas, com formação de gases H2, CH4 e CO2 e de ácidos graxos de cadeia curta3.

Embora o excesso de água e dos ácidos graxos seja absorvido no cólon, quando a capacidade absortiva é ultrapassada, ocorrem flatulência e diarreia. As manifestações clínicas dependem, portanto, da quantidade de lactose ingerida. Nota-se, assim, que o indivíduo pode ter má absorção de lactose sem as crises e que estas, quando presentes, indicam a intolerância.

O quadro clínico clássico caracteriza-se por distensão abdominal, borborigmo, flatulência, fezes amolecidas e ácidas e dor abdominal.

Diagnóstico

Apesar das manifestações clínicas, a correlação entre o relato de intolerância à lactose pelos pacientes e o diagnóstico é pobre. Assim, não se recomenda o início de uma dieta de exclusão de leite baseada em sintomas apenas4..

 

TESTE DE TOLERANCIA A LACTOSE POR VIA ORAL .

No teste, o paciente ingere uma quantidade fixa desse dissacarídeo e a glicemia é dosada antes e depois da ingesta. O indivíduo capaz de digerir a lactose apresenta um incremento de 20 mg/dL na glicemia.

Este teste oral muito embora  funcional  apresenta algumas dificuldades claras :A ingesta do xarope de lactose  em crianças e adultos sensíveis.Se intolerante vai provocar diarreias e cólicas intestinais.

 

NOVIDADE

TESTE MOLECULAR /GENÉTICO  PARA INTOLERANCIA A LACTOSE

O teste molecular para a pesquisa de hipolactasia primária tem alta sensibilidade e especificidade, sendo realizado em amostra de sangue periférico ou coleta através da mucosa oral por PCR, seguida de reação de sequenciamento para a detecção da variante genética C/T – 13.910, localizada no gene MCM6. Essa variante apresenta associação bem estabelecida com a não persistência da lactase, estando o genótipo CC vinculado com a predisposição à intolerância à lactose, enquanto os genótipos TT e CT sugerem manutenção da habilidade de digerir o carboidrato ao longo da vida.

 

Vantagens

Não há necessidade de ingerir o xarope de lactose  e a coleta pode ser feita com a coleta de material da mucosa bucal ( para crianças) e para adultos uma pequena coleta de sangue.

 

 

Referências

1. Montes RG, Perman JA. Lactose intolerance; pinpointing the source of nonspecific gastrointestinal symptoms. Postgrad Med 1991;89:175-84.

2. Srinivasan R, Minocha A. When to suspect lactose intolerance; symptomatic, ethnic, and laboratory clues. Postgrad Med 1998;104:109-23.

3. Porta G, Koda YKL. Gastroenterologia e hepatologia. Cap. 21. Editora Manole, 2011.

4. Usai-Satta P, Scarpa M, Oppia F, Cabras F. Lactose malabsorption and intolerance: a systematic review on the diagnostic value of gastrointestinal symptoms and self-reported milk intolerance. World J Gastrointest Pharmacol Ther. 2012 Jun 6;3(3):29-33.

5. Kuokkanen M, Myllyniemi M, Vauhkonen M, et al. A biopsy-based quick test in the diagnosis of duodenal hypolactasia in upper gastroin- testinal endoscopy. Endoscopy. 2006;38:708–712.


Postada em: 21/05/2018 11:24