Novidades em Diagnóstico na medicina laboratorial

Categoria: Notícias | Data: 12.01.2026
Novidades em Diagnóstico na medicina laboratorial

Último Consenso Brasileiro de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose da SBC (2025 out)

Visão geral da SBC 2025. A diretriz não é só uma atualização da de 2017 — muda a lógica de estratificação de risco, metas terapêuticas e uso de marcadores modernos. O enfoque passou de um controle genérico de lipídios para um modelo personalizado de prevenção cardiovascular ao longo da vida

1) Estratificação de risco mais refinada.

A aterosclerose é vista como um processo contínuo, começando na infância e progredindo silenciosamente.

A avaliação de risco agora incorpora biomarcadores emergentes e ferramentas de imagem.

 Uso do escala PREVENT para risco cardiovascular em 10–30 anos em adultos.

Introduz-se a categoria de risco extremo, para pacientes com múltiplos eventos ou alto risco residual.

2) Novas metas lipídicas

As metas de LDL-c e outros marcadores foram atualizadas e mais rigorosas e são definidas pelo uso da escala de risco cardiovascular do paciente

Categoria de risco DAC

            Meta Terapêutica de LDL-c (novo)

Baixo risco

                   < 115 mg/dL

Intermediário

                   < 100 mg/dL

Alto risco

                    < 70 mg/dL

Muito alto risco

                    < 50 mg/dL

Risco extremo (novo)

                    < 40 mg/dL

   

Além disso: Não-HDL-c é meta coprimária. ApoB é meta secundária útil em controle fino de risco.

3) Inclusão de biomarcadores e ferramentas modernas

A diretriz recomenda enfatizar, quando possível:

  • Lp(a) – medição uma vez na vida para estratificação de risco residual.
  • ApoB – como complemento ao LDL-c e não-HDL-c.
  • hs-PCR e CAC (cálcio coronariano) – para detecção de aterosclerose subclínica e refinamento do risco.

Três marcadores ganham protagonismo absoluto: Lipoproteína(a), Apolipoproteína B e Apolipoproteína A-I

1) LIPOPROTEÍNA(a) — Lp(a)

Lp(a) é risco cardiovascular independente, tão forte quanto LDL-C — e não depende do estilo de vida. Genética pura.      

  • Aumenta risco de DAC precoce, AVC isquêmico, estenose aórtica calcificada, mesmo com LDL ótimo.
  • Contribui para inflamação, oxidação de LDL, maior trombogenicidade e aceleração da placa.

O que o Consenso recomenda?

  • Medir pelo menos uma vez na vida em adultos.
  • Repetir somente em situações especiais (suspeita genética, terapias específicas).
  • Valores críticos:

≥ 50 mg/dL (ou ≥ 125 nmol/L) → risco aumentado.

≥ 180 mg/dL → risco equivalente a hipercolesterolemia familiar.

Impacto prático

  • Pacientes com Lp(a) alta entram em categoria de maior risco, mesmo se o resto estiver adequado aos valores referenciais.
  • O alvo de LDL-C deve ser mais agressivo.
  • Novas terapias RNA-silencing específicas estão vindo aí — e o consenso preparou terreno para isso.

Estamos falando de RNA silencing — terapias que desligam genes específicos, antes mesmo da proteína nascer. Diferente de droga clássica, aqui o alvo é a causa molecular, não o efeito final.

siRNA (small interfering RNA)

  • Atua no citoplasma
  • Promove degradação do mRNA alvo
  • Efeito potente e duradouro
  • Administração semestral ou anual

Exemplos concretos (já aprovados ou em fase final):

  • Inclisiran → silencia PCSK9 → LDL cai ~50–60%
  • Olpasiran / Pelacarsen → silenciam LPA → Lp(a) ↓ até 90%
  • Patisiran / Vutrisiran → amiloidose por TTR

Aqui está o futuro da cardiologia preventiva de alto risco.

Antisense Oligonucleotides (ASO)

  • Atuam no núcleo
  • Bloqueiam tradução ou induzem degradação do RNA
  • Mais antigos, hoje muito refinados

Exemplos:

  • Nusinersen → atrofia muscular espinhal
  • Eplontersen → TTR
  • Pelacarsen → Lp(a) (via ASO, diferente do siRNA)

 

Entrega direcionada: GalNAc

  • Ligação do RNA a GalNAc
  • Captação seletiva por hepatócitos
  • Menos efeito sistêmico
  • Segurança muito maior

Sem isso, RNA silencing não teria ido para frente.

Cardiologia

  • Lp(a) deixa de ser “marcador sem tratamento”
  • ApoB passa a ser alvo central
  • LDL isolado perde protagonismo

Vamos medir para tratar, não só para estratificar.

Doenças raras e genéticas

  • Tratamento personalizado por mutação
  • Diagnóstico molecular vira obrigatório, não luxo

Neurologia

  • Alzheimer, Huntington, ELA em pipelines reais
  • Silenciamento seletivo por alelo mutado

Oncologia

  • Silenciar oncogenes “não drogáveis”
  • Combinação com imunoterapia

Limitações (falando a verdade)

  • Custo ainda alto
  • Uso concentrado em fígado (por enquanto)
  • Longo prazo >10 anos ainda em acompanhamento
  • Dependência de diagnóstico molecular bem feito

 

 

2) APOLIPOPROTEÍNA B — ApoB

O consenso foi direto: ApoB é o marcador mais fiel do número de partículas aterogênicas.
Ou seja, mede quantidade de LDL, IDL, VLDL e Lp(a) somadas.

Visão antiga: LDL-C como estrela.
Visão atual: LDL-C sozinho engana; quem manda mesmo é o número de partículas — ApoB.

O que diz o Consenso 2025?

  • ApoB é superior ao LDL-C na previsão de eventos.
  • Em hipertrigliceridemia, ApoB é obrigatório para avaliar risco real.
  • A ApoB deve ser correlacionada juntamente com os escores do paciente em relação a DAC (doença arterial coronariana).
  • Estes escores classificam o paciente quanto ao risco para a DAC sendo que

Paciente que tenham EXTREMO risco para DAC devem possuir Apo B  < a 40 mg/dL

Pacientes que tenham MUITO  ALTO  risco para DAC devem possuir ApoB < 55 mg/dL

Pacientes que tenham ALTO risco para DAC devem possuir ApoB < 70 mg/Dl.

Pacientes que tenham Risco Intermediário para DAC devem possuitr ApoB  < 90 mg/dL

Pacientes que tenham Risco Baixo devem possuir ApoB < 100 mg/dL

Por que isso é importante na prática?

  • Dois pacientes com LDL-C igual podem ter riscos completamente diferentes.
  • ApoB alto significa muitas partículas colidindo com endotélio → aterosclerose acelerada.
  • Para laboratório: tendência forte de ApoB se tornar exame mandatário nos perfis lipídicos avançados.

 

3) APOLIPOPROTEÍNA A-I — ApoA-I

O que representa?

É a principal proteína do HDL.
ApoA-I = funcionalidade do HDL.
Não é só “HDL alto ou baixo”. É HDL que presta serviço na remoção de colesterol.

O peso no Consenso

  • ApoA-I é marcador de proteção, mas perde força para Lp(a) e ApoB.
  • Serve especialmente quando HDL-C está estranho: muito alto, muito baixo ou discordante.

Interpretação prática

  • Baixo ApoA-I → maior risco cardiovascular.
  • Pode ser útil em pacientes com síndrome metabólica, hipertrigliceridemia e inflamação crônica.
  • No entanto: não é marcador de decisão terapêutica primária, diferente de ApoB.

 

RESUMO PARA USO RÁPIDO (bem direto)

Marcador

Papel principal

Peso no Consenso SBC 2025

Impacto clínico real

Lp(a)

Risco genético independente

⭐⭐⭐⭐⭐

Aumenta risco mesmo com LDL normal; medir 1x na vida; metas mais agressivas

ApoB

Número total de partículas aterogênicas

⭐⭐⭐⭐⭐

Melhor marcador para risco; essencial em TG alto; define alvos terapêuticos

ApoA-I

Qualidade/funcionalidade do HDL

⭐⭐⭐

Útil quando HDL-C é duvidoso; marcador de proteção, não de decisão

 

  • Lp(a) te diz se o paciente nasceu com “o pé no acelerador da aterosclerose”.
  • ApoB te diz “ quantas partículas aterogênicas estão  batendo no endotélio.
  • ApoA-I fala da funcionalidade do  HDL” se está fazendo o serviço.

 

  • Dois pacientes com LDL-C igual podem ter riscos completamente diferentes.
  • ApoB alto significa muitas partículas colidindo com endotélio → aterosclerose acelerada.
  • Para laboratório: tendência forte de ApoB se tornar exame mandatário nos perfis lipídicos avançados.

Resumo para solicitação laboratorial nas dislipidemias

Parâmetro    Resultado    Unidade
Colesterol total    ______    mg/dL
LDL-colesterol    ______    mg/dL
HDL-colesterol    ______    mg/dL
Triglicerídeos    ______    mg/dL
Não-HDL-colesterol    ______    mg/dL
Apolipoproteína B (ApoB)    ______    mg/dL
Lipoproteína(a) – Lp(a)    _____    mg/dL 
Apolipoproteina A1______________mg/dl        
PCR-ultrassensível (se disponível)    ______    mg/L

Para saber mais detalhes sobre este novo consenso, abaixo segue a nota completa para download.

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